Pelas palavras...

Minha foto
Não importa a visão da cidade/ E sua face atormentada dando voltas no quarteirão/ Nossos olhos erguidos além do concreto/ Vêem as copas das árvores e não espantam pássaros/ Também aprendemos a pousar na linha esticada/ Para ver o sol nascer.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os favos dos dias únicos


Decifrando parábolas

o homem anda em circulos

e cava ao redor do seu umbigo

a sua própria incompreensão

Olhando os favos nos caxilhos

o menino recolhe os dedos

e lambe o mel que escorre nas mãos

o que lhe importa é que as flores abriram

e as abelhas alimentam de calmos zumbidos o seu coração

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os frutos maduros do céu


Mesmo que eu andasse todos os caminhos

e o pôr do sol me acompanhasse a esmo todas as tardes

sem você não haveriam caminhos possíveis

e todo dia seria sempre muito tarde

pra tudo o que eu sempre sonhei

Mas agora eu sei...

Porque posso olhar bem dentro do sol

e ver ele sumindo

enquanto você está comigo e não deixa a luz partir


As tuas mãos me trazem o calor que eu preciso

o teu olhar clareia o meu sorriso

sou o teu coração e você é o meu

o nosso amor é um ninho onde repousam os pássaros eternos

e onde viverão para sempre

com a alma em paz

unidos em tudo, colhendo frutos maduros no céu

e depositando nossas sementes que germinam no ventre da inocência

a essência de um novo ser


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Sagrados olhos


A vida tem uma melodia que se alcança em silêncio, essa essência que não requer outra explicação a não ser existir e ser tudo!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

-Meu livro de poemas disponível para download-


Olá amigos!

A partir de hoje estou disponibilizando meu livro de poemas "Litoral" para download, através do site http://www.scribd.com/

Basta acessar o link e cadastrar-se com um e-mail e nome, aqui abaixo está o link que consta o livro:


Em, no máximo 2 minutos você terá o livro para ler em casa no seu pc sem qualquer custo, num formato bem prático, com capa e todos os detalhes completos. São 96 páginas recheadas de lirismo, mergulhos em visões filosóficas e sentimentos. Pode escolher entre 3 formatos, sendo PDF ( aconselho a quem tem o programa Adobe acrobat PDF baixar neste formato, pois fica muito fiel ao livro real ), Word ou Documento de texto.


Obrigado pela atenção!

E desejo a todos que conferirem meu trabalho uma boa leitura!

Dúvidas ou sugestões entrem em contato por comentário, ou por e-mail : marcopoema@yahoo.com.br


Abraços!

Amargo - Música de Jayme caetano Braun

Imagem: site Rainhas do lar

Velha infusão gauchesca
De topete levantado
O porongo requeimado
Que te serve de vazilha
Tem o feitio da coxilha
Por onde o guasca domina
E esse gosto de resina
Que não é amargo nem doce
É o beijo que desgarrou-se
Dos lábios de alguma china!


A velha bomba prateada
Que atrás do cerro desponta
Como uma lança de ponta
Encravada no repecho
Assim jogada ao desleixo
Até parece que espera
O retorno de algum cuera
Esparramado do bando
Que decerto anda peleando
Nalgum rincão de tapera!

Velho mate-chimarrão
As vezes quando te chupo
Eu sinto que me engarupo
Bem sobre a anca da história
E repassando a memória
Vejo tropilhas de um pêlo
Selvagens em atropelo
Entreverados na orgia
Dos passes de bruxaria
Quando o feiticeiro inculto
Rezava o primeiro culto
Da pampeana liturgia!

Nessa lagoa parada
Cheia de paus e de espuma

Vão cruzando uma, por uma
Antepassadas visões
Fandangos e marcações
Entreveros e bochinchos
Clarinadas e relinchos
Por descampados e grotas
E quando tu te alvorotas
No teu ronco anunciador
Escuto ao longe o rumor
De uma cordeona floreando
E o vento norte assobiando
Nos flecos do tirador!


Sangue verde do meu pago
Quando o teu gosto me invade
Eu sinto necessidade
De ver céu e campo aberto
É algum mistério por certo
Que arrebentando maneias
Te faz corcovear nas veias
Como se o sangue encarnado
Verde tivesse voltado
Do curador das peleias!


Gaudéria essência charrua
Do Rio Grande primitivo
Chupo mais um, pra o estrivo
E campo a fora me largo
Levando o teu gosto amargo
Gravado em todo o meu ser
E um dia quando morrer
Deus me conceda esta graça
De expirar entre a fumaça
Do meu chimarrão querido
Porque então irei ungido
Com água benta da raça!!!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Gentileza


Se o dia escurecer

eleve as suas estrelas!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Maneiras


(Foto: André Valença)



Existem grandes mistérios

num ponto de luz...

seria apenas reflexo nos olhos?

ou viria de dentro a presença da vida?

...tão forte, que atravessasse a íris castanha

para pousar no fundo da nossa percepção

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Até o avesso


Escrevo, e essa é uma de minhas verdades

da qual meu contato com a vida é mistério.

E, por ser assim, é íntimo e essencial.

Minha alma fica dentro do peito

de onde reconhece o destino de todos meus sonhos

mas como é luz e sombra, revela-me aos poucos...

Até que, por fim, o avesso contorne a fonte e mergulhe de vez...

Queria te encontrar


Queria ficar na tua pele, como o perfume que te acompanha em cada movimento

Me envolver em teus olhos até chegar ao teu coração

Ter uma dose da tua ausência para notar a saudade em minhas mãos

Tê-la por inteiro

E descobrir em cada encontro teus desejos

Teu jeito e tuas formas de sentir

Queria, todos os dias, antes de dormir, sonhar com o nosso futuro

Fazer dos muros que distanciam, degraus para vermos o mundo

Do alto da montanha onde as flores são raras almas que sobrevivem ao frio

Queria estar nos teus sonhos, no inesperado sorriso que dás com o canto da boca

Quando estás a caminhar pelas ruas, sentindo que eu também estou, de alguma forma

Queria fechar teu guarda-chuva quando estivesse chovendo

Pegar tua mão e correr até o parque

Sentados nos cavalos do carrossel desativado

Passando meus dedos em teu rosto, entre os cabelos

Colhendo as gotas em tuas pálpebras com os meus lábios

Chegando nos teus...

Pelo canto, até encaixar minha boca na tua, e ficar reconhecendo o céu que ilumina os anjos

Queria estar sob o teu corpo, amanhecendo a alma entre os poros...

O calor que eleva a vida a outros estágios

Queria te encontrar

Para sentir o silêncio, enquanto os lábios falam pelas úmidas palavras do beijo

Queria te encontrar...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cômodos e quintais


Os dias
São como quintais onde nos reunimos em familia
A simples mesa onde são servidas as horas
Ela tem uma toalha estendida
Pintada de sol e de lua
Por isso me sinto em casa
Aprendendo que em cada cômodo da realidade
Devem permanecer os móveis do sonho
A fantasia que dá cor às paredes
De tarde eu vou até a sacada
E o fraco vento embala a rede entre as samambaias
Minha vida é completa...
Em poucas coisas eu percebo que ela nunca foi vazia
Às vezes a tempestade trinca os vidros
E às vezes a chuva entra e enche o parquet
Derramando-se em lágrimas nos degraus
Mas estar vivo é tão bonito
Que qualquer momento vale o imprevisto
O coração sabe onde está e fica tranquilo
E o que seria da alegria sem a dor?
Que nos seja sempre possível
Receber por inteiro todos os sentimentos
Para que possamos nos dar por inteiro em cada sorriso

terça-feira, 19 de maio de 2009

As memórias do ar


(foto: Elsa Rodrigues)

Para onde vão estes pássaros em nossa ausência?
sempre terão outros galhos para pousar...
De todos os sonhos
eu lembro de um que nunca deixei
mas os sonhos se parecem como penas soltas no ar
a diferença é, que, nos pássaros
as penas voltam a nascer
Eu, com aquela pena
apenas tento escrever
as memórias do ar

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Estação Zoo!




Olá! Nossa banda, Estação Zoo está no "Garagem do Faustão".
É uma oportunidade de mostrar o trabalho que fazemos desde 2004!
Contamos com seu voto, é rápido e fácil, basta entrar neste link e votar: http://domingaodofaustao.globo.com/Domingao/Garagemdofaustao/0,,16989,00.html

Um grande abraço e obrigado!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

RÚSTICO RETRATO


Visita também meu novo blog, vai lá!


abraço..

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ser feliz, quase sem saber...



Esta noite, apenas sorri
para além dos meus pensamentos
tomando conta do silêncio que me trazia outros ventos
tomando a lua nas bordas, tocando o seu centro...
A força dos sonhos me inquietava...
Sinos na varanda
rústicos ecos da voz que me fala por dentro
e se estende...
e entende que a rua celebra
enquanto as cabeças acostumadas trocam horas belas
pelas marcas fundas no travesseiro
Ser feliz quase sem saber
eis o risco de lágrima que limpa os sentidos
e deixa o sol nascer em paz entre os cílios
é assim que venho amanhecer
...e assim me fazes sentir
meu mundo fica inteiro!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Retrato do céu


Levo estrelas na palma da mão
quero deixá-las na borda do lago
Depois que entrarmos elas se espalharão
e então vai ser possível até ver os seus reflexos no céu
E quem dirá que elas são de lá?...
Será nosso segredo
dentro das mãos
Olha!
Nós dois
estamos na superfície da água
e no âmago do universo
surpreendidos pela luminosidade dos olhos
no âmago da água
e na superfície dos olhos
absorvidos pela luminosidade do universo
Tudo é o quanto se sente...
O amor é preciso, vai fazendo pontes até acertar os trilhos
Os abismos servem pra lembrarmos do quanto um dia estivemos no início
isso vai ajudar a ter braços fortes pra puxar
se, um dia, um de nós estiver caindo
Dois corações que se encontram cumprem um ciclo
atravessam vales que antes eram temidos
ferem-se nas pontas dos galhos
mas fazem dos frutos curativos
Os lábios se reconhecem enquanto respiram
dentro dos lábios que aquecem enquanto nos fazem mais vivos
Levo estrelas na palma da mão
são cinco pontas...
são cinco dedos...tua mão...
retrato do céu

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Noturna


Descubra a máscara que usas na cintura

na face rósea e pura

como borboleta abrindo as asas após deixar o casulo

e provando o pólen da mutação

E, com muita calma, deixe que as almas

entrelaçadas na beira da praia em nosso coração

sejam curvas moldadas no abandono da razão

se amando no raso

para alcançar o fundo das águas

sexta-feira, 1 de maio de 2009

...

O que sentes?

terça-feira, 28 de abril de 2009

A face de Deus


É impossível tocar na face de Deus
Porque a nada se assemelha
Porém, a tudo se reconhece
Inclusive as próprias mãos que lhe buscam tocar

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Atelier


A vida mistura as tintas
Espalha telas no atelier
Mas esconde os pincéis em jardins sem endereço
Por isso comecei a pintar com as mãos
E não me importei em manchar-me
Estiquei lençois em altos cordões
E respinguei as sobras guardadas das cores
Tingi estações com o gosto de um descampado que as sente
Através da memória presente do seu capim
E, no fim dos dias
Recolhi cada pano e estiquei sobre o chão da sala para dormir
Mas, apesar das cores, havia sempre ao meu lado uma parte em branco...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Algum sinal

Só quero que a música continue...
pelo instrumento que vibra em meu peito

Intervalos


Como cervos amedrontados
Escondendo-se em meio às árvores...
Eis que vós deixastes sobre a mesa
O fruto são de todas as suas refeições
E estendestes o tapete em frente à porta
À espera das folhas que logo virias a varrer
Eis que, ao vosso sono te espelhastes nas lembranças
E ao acordar ainda te vestes invertido
E tiveste chance pra sentir, escolhendo outros sentidos
Mas como não ficastes lá...
Há um intervalo...
Vestígio de sombra inalterado
Que, por mais que chores
Parece nunca poderes regar de força este instante
Para que brotem hoje as flores de antes
Eis que vós deixastes um recado
Num papel em branco
Que virias a ler ao mesmo tempo em que escreves
Tuas mãos se encontram com as palavras
E as emoções se dilatam
Preenchendo com esperança os espaços
Nesses intervalos...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

À meio caminho das estrelas


Estou na borda da tela
cuidando pra não esmaecer a cor
mas é cansativo
por isso resolvi olhar para o seu desenho
e assim entrei na sua história
A tinta estava molhada
percebi que eram lágrimas que vinham do fundo
nos poros da alma, nos furos do pano
Achei que não devia misturar as cores
misturei a mim mesmo entre os cantos dos teus olhos pintados
e ali fiquei...
num dos quadros que os vidros da janela espelharam
e que quando a luz de dentro acendia
ficava refletido na vidraça com todo o resto da paisagem lá fora
O sol nos fotografa em muitas manhãs
tenho pra mim que ele nos revelará
e, com a ajuda do vento
em sequência, dará movimento a cada imagem
e, com a ajuda da chuva irá nos tirar do papel
e escorreremos felizes na colina...
nem que seja na eternidade de um único dia
até que a lua absorva a poesia que o orvalho da tarde deixou
a meio caminho das estrelas...

domingo, 19 de abril de 2009

Da noite


Flocos de neve se acomodam sobre mim

E se mantém...

E não preciso que se derretam em minhas mãos

Para mostrar aos outros

Que o céu cobriu de branco o veludo cinzento dos dias

Me basta sentir a paz que me distrai do tempo

E me enrolar num cobertor

Quando voltar para dentro...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Tecendo as horas


Sou eu descalço do tempo, desaprendendo o linear do destino
Desenhando em folhas que o vento leva, texturizadas entre nuvens
Não sei senão aquilo tudo o que tu já sabes
Pelos mesmos olhos, vivo surpreendendo os meus sentidos
Que ora se aproximam, ora se afastam...
Traduzo em mim o teor de tudo aquilo que escrevo
Despindo-me do medo que outrora engoliu meu pranto
Eu me refaço, me invento, me acomodo
Contemplo o mar que desenhou o arrepio na fina margem dos poros
Quando não tenho o que dizer, apenas canto
E assim, o meu prazer, que dura instantes
Me arremete em tantos...
Que, por mais que alguns dias eu caia para trás, eu me levanto
E os próximos momentos passam a ser melhores do que antes

Beleza


Felizes somos quando
Mesmo conhecendo tanto
Ainda nos permitimos admirar o pouco tão intensamente
Como se fosse sempre a primeira vez!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A luminosa gestação do tempo


Amada!

Tua casa, aquela cujos cômodos

Abrigam o amor das almas

E os móveis exalam o aroma das flores

Teu calor que se dilata entre as plantas

Tuas mãos molhadas

Carregadas de suor, intimidade ou pranto

Tuas asas brancas...

E o mistério oculto das lembranças

Que os teus pés tocaram

Teus lábios

Cuja forma gentilmente se encaixa

Numa saudade antecipada... Tão minha...

Tua voz que se entrelaça

Pela boca entreaberta, e que me cala

Num silêncio sensível e seguro; e eu te admiro

Tua escada de paixão que atravessa

Todo o muro que separa em solidão

Tua tez que me abraça

Pelo som que o corpo amplifica

Quando os olhos se fecham

E as costas dos meus dedos se eternizam nas tuas costas...

Deslizo os meus destinos por tantos caminhos no mundo

Pra me encontrar

Pra te encontrar

Nos férteis sonhos profundos

Que realizo neste momento

Abrindo a porta da tua morada

Depois da luminosa gestação do tempo

terça-feira, 7 de abril de 2009

Coisas vivas


As mãos, quando escrevem
criam laços profundos entre as palavras..
porque vão além do que as letras podem conter!

Grão


Os grãos que saem do cesto da vida
brotam nos canteiros do tempo
e criam raízes profundas
Também quero semear...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O orvalho e a flor


Não tentes decifrar o amor que existe em mim
compreenda apenas meus olhos.. em ti...
O orvalho sob as pétalas repousa
fecundando a luz na essência da flor

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Transparência



"Se precisar, quebrem-se todos os vidros, com os próprios punhos; pra libertar do aquário o ar que ficou trancado, impedido de se renovar"

terça-feira, 31 de março de 2009

Luzes



Ainda há postes
derramando mercúrio
nas feridas de ruas noturnas

Memória paralela



O frio, quando se entrega à tempestade
prova a água da chuva com os olhos cheios d'água
porque também é feito de gotas
num brilho que se espalha
cada vez que os intermitentes raios se afastam
e as luzes permanentes se aproximam

quinta-feira, 26 de março de 2009

Aqui dentro


Não há palavras...
apenas um quarto onde o ar ficou do lado de fora

domingo, 22 de março de 2009

Noite de lua


Desafio a noite
olhando em seus olhos
tenho um coração que pulsa ardente
e não é porque os médicos dizem que ele faz isso apenas para bombear o meu sangue
é mais do que isso...
Pode falar, meus ouvidos não estão surdos
e meus olhos apaixonados escondem o imprevísivel
Não me importo em ser roubado ao absurdo
existem coisas que ninguém nunca leva ao lado escuro
coisas que eu ainda nem descobri
mas não estou aqui para ficar cavando tesouros
sendo que o brilho vivo provém dos olhos
Desafio os olhos, olhando em sua noite
As pipas não sobem sozinhas...

Pelos momentos em que não me ocorrem pensamentos
eu me debruço encantado apenas com o movimento das curvas
A vertigem triste da literatura cicatriza a superfície
mas as feridas só tem cura nas mãos que trazem lágrimas
quando tocam o rosto
proferindo em silêncio raízes

quinta-feira, 19 de março de 2009

Suspenso em galhos

Passo tempo observando...
folhas que o vento arrasta
é como se estivessemos somente nós ali, eu e as folhas
A inquietude de ambos
Os sons se dissolvem e as pessoas passam a ser parte das ruas
eu não noto
Ainda não sei se é o tempo que me assalta estes momentos
ou se é o contato indefinido que me acolhe o pensamento
Alguém cutuca-me no ombro
não precisava
será que ele não sabe que eu estava ali?
era só um par de olhos que junto às folhas voava...

Poço de andares


O grande problema das metrópoles
é que, cada vez menos, pode-se notar
o céu por entre os andares

Copo do crepúsculo


A tarde cobriu-se de bronze
e encheu de vinho o meu pensamento
Sou o dia esperando pela noite
com o copo do crepúsculo na mão

quarta-feira, 18 de março de 2009

...



A sombra imediata da nuvem desenha o pranto do céu

Mensagem



Eu abro meus olhos pela manhã...
Milhões de palavras cairão sobre mim
mas tenho certeza de que nenhuma dirá o que eu preciso ouvir
pois palavras não traduzem o som da tua voz...

Vontade...



Quando sinto o instante que ao meu se assemelha
eu pulo os arames da invisível cerca que me rodeia
para ir ver o mar que os sonhos revelam
onde meus pensamentos se dissolvem
dando lugar à sutil sensação
enquanto as nuvens passeiam nas ondas
e as águas avançam na areia
Não há reposição para o desperdício do agora
Quando o passo se confunde com o caminho
é a fé na estrada o único destino sem a linha da razão
e não me apresso...
pois quem tem pressa
não enxerga a parte de dentro voltada pra fora
Impulsos giram a roda
num trem movido a calor...

terça-feira, 17 de março de 2009

Os próprios pensamentos


É preciso olhar..sem perguntar de um olhar
não se deve duvidar, quando , no fundo, você mesmo sabe que acredita
não crescemos dentro de vidros
não estamos à mostra
porque estamos vivos
Ninguém vai te dizer o que é melhor
ninguém vai te moldar feito barro, só esperando secar
ninguém vai tomar teus pensamentos num cálice artesanal
A influência corrói aos poucos, como ferrugem
como um parasita que te consome o essencial sem você notar.
Quem tem um ideal tem que lutar
aprender a desviar dos degraus
pois eles só te farão subir a outro andar
até te isolarem numa sala de espera
com uma janela que te mostra aonde realmente deveria estar.
Aos desejos não cabem desvios
nem setas
nem mãos à mostrar direção
nossas vidas todas são diferentes
pra uns, mais fundos são os mares
pra outros, as margens são raridades dos rios
diferenciam detalhes
mas as águas são as mesmas...
Só a mão de quem vier com a gente já basta
através dela dá pra sentir as batidas do seu coração.

Pintura do dia


O museu da tarde pendura quadros diante de nós
somos visitantes na exposição do dia

Opaco


Quem não derrama lágrimas
afoga o coração quando sorri

segunda-feira, 16 de março de 2009

Íris


Esse caminho... história que o passado desconta em versos avulsos
talhando a pele dos sonhos mais profundos
Olhos de íris amarela
desenhado em folhas velhas o prenúncio do futuro
um deserto para cada marujo sem teto
que perdeu o seu barco no fundo

A roda gigante desce do arco e espalha seus aros
lâmpadas fluorescentes
cortinas de luz que cansaram de ser apagadas pelo dia

A criança continua no banco
com algodão-doce em uma mão
e na outra um pano para afagar seu rosto
enquanto tudo ao redor não for suficientemente humano
Mas logo estará em casa de novo

sábado, 14 de março de 2009

Dedicação


A dedicação torna as obras maiores do que podemos imaginar
porque ela vem do interior
e o interior é sem tamanho...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sintonia


O amor... é silencioso
mas o mercado o pôs à venda...
pôs a venda nos olhos das quais ele habita.
Corações na prateleira
embalados e conservados na temperatura ideal
devido ao seu temperamento.
Agora que o "amor" já foi examinado
e todas as suas diferenças foram catalogadas
fica mais fácil...
Afinal, para trocar os sapatos
basta desfazer os laços...
e, há tanta oferta, que até a dor vira prova de status
E o preço?... paga à vista
com os olhos ainda vendados, vendidos à prazo
para cobrir os gastos com a anestesia
Em nome do amor qualquer sinal é assinado
mesmo que não tenha rosto
e ainda dizem: "quem vê cara não vê coração"
mas pra quem não vê um dos dois
sempre fica faltando um pedaço...
O amor... é silencioso
o resto... é ruído
falha no entretenimento entre canais mal sintonizados
O mundo se apressa...
e empresta a alma para exposição
sem sentir se háverá como repôr

quarta-feira, 11 de março de 2009

Nem sei...


A tinta escorre nas paredes úmidas dos meus olhos
mas eles continuam sem cor...

Let the horses run..


"Não se usa filtros quando a água brota da fonte"!
Se não compreendes que a poesia é invisível aos olhos que a querem enfeitada
é porque ainda acreditas ser o rosto de dentro
quando vês apenas as máscaras.

Particular...


"As verdades são frutos na árvore que cada um plantou"!

Idéias


Quando uma decisão for muito difícil de ser "tomada", use uma "lâmpada"!