Pelas palavras...

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Não importa a visão da cidade/ E sua face atormentada dando voltas no quarteirão/ Nossos olhos erguidos além do concreto/ Vêem as copas das árvores e não espantam pássaros/ Também aprendemos a pousar na linha esticada/ Para ver o sol nascer.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Em busca de mim


Tem esse violão deitado sobre a cama
uma lareira acesa crepitando pedaços de luz
mas os vidros foram fechados há muito tempo
e desde então tento imaginar os timbres do vento...

Ouvi as notas soando e a vida acontecendo
Não sei porque não tento
abrir...
Meu "não" contradiz a tudo o que penso
As lágrimas ficam correndo do lado de fora
e, aqui dentro, o frio dos meus olhos exala um resto do tempo
que outrora senti estar perto de mim...


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tons


Desligue os faróis
Deixe que as estrelas sejam vistas
Pela luz dos olhos...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Caravana


Minhas pálpebras revelam manhãs aos meus olhos
E meu pensamento se desenvolve em lúcida vertente
Num resto de sonho que a noite beijou para acordar
Varanda líquida ao largo horizonte
Em cada folha seca que o chão acomoda
Há um desenho único
Destino adverso
Que o vento leva entre distraídas almas
Deixo estampar esta tarde no silêncio dos vidros
Pela neblina sedimentada do outono
Que as mãos da noite me consolam com seu ópio de sono
Fazendo riscos no telhado
Reduzidos os sons se esvaem em preto e branco
E a caravana da poesia
Satisfaz o fim do dia com a brisa que sai dos seus ramos
Palavras...
Texturas...
Casas vivas onde moramos...
Meu moletom também está por adormecer
E meus olhos estão se encontrando do lado de dentro
Até o amanhecer...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Entre as almas de todas as mãos


Marchamos o dia todo perante a luz que nos desvenda

E, muitas vezes, nem sequer notamos

Porque marchamos num ritmo que nem sequer questionamos

Como elefantes amarrados pelo pé numa corrente

Desde pequenos

E, soltos, ainda sentem os elos limitando os seus passos

Ouvimos o eco senil dos calabouços

Mas continuamos pelo corredor seguindo as placas

Ovelhas que deixam o pasto e não vêem os lobos

Porque estão abaixados e famintos

Ficamos, feito pássaros cegos que se debatem entre galhos

E, cansados, pousam no chão

Mas, sempre que pudermos esfregar os olhos a cada manhã

E agradecer

Nossos pés reconhecerão que o caminho é mesmo desconhecido

Porém belo

As correntes são mesmo pesadas

Porém, não eternas

Os ecos são mesmo frios e distantes

Porém, é apenas o vento nas placas

Os lobos são mesmo caçadores

Porém, os campos são vastos e a natureza é sábia

Os pássaros cegos são mesmo mais atrasados

Porém, nem que não tivessem asas, saberiam que

Todos possuem coração

E ele talvez seja a nossa maior missão aqui na terra

Semeado pra sempre

À se espalhar entre as almas de todas as mãos

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Kahlil Gibran!


A borboleta continuará a pairar sobre o campo e as gotas de orvalho ainda brilharão sobre a relva quando as pirâmides do Egito estiverem destruídas e não mais existirem os arranha-céus de Nova York.