Pelas palavras...

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Não importa a visão da cidade/ E sua face atormentada dando voltas no quarteirão/ Nossos olhos erguidos além do concreto/ Vêem as copas das árvores e não espantam pássaros/ Também aprendemos a pousar na linha esticada/ Para ver o sol nascer.
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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Até o avesso


Escrevo, e essa é uma de minhas verdades

da qual meu contato com a vida é mistério.

E, por ser assim, é íntimo e essencial.

Minha alma fica dentro do peito

de onde reconhece o destino de todos meus sonhos

mas como é luz e sombra, revela-me aos poucos...

Até que, por fim, o avesso contorne a fonte e mergulhe de vez...

Queria te encontrar


Queria ficar na tua pele, como o perfume que te acompanha em cada movimento

Me envolver em teus olhos até chegar ao teu coração

Ter uma dose da tua ausência para notar a saudade em minhas mãos

Tê-la por inteiro

E descobrir em cada encontro teus desejos

Teu jeito e tuas formas de sentir

Queria, todos os dias, antes de dormir, sonhar com o nosso futuro

Fazer dos muros que distanciam, degraus para vermos o mundo

Do alto da montanha onde as flores são raras almas que sobrevivem ao frio

Queria estar nos teus sonhos, no inesperado sorriso que dás com o canto da boca

Quando estás a caminhar pelas ruas, sentindo que eu também estou, de alguma forma

Queria fechar teu guarda-chuva quando estivesse chovendo

Pegar tua mão e correr até o parque

Sentados nos cavalos do carrossel desativado

Passando meus dedos em teu rosto, entre os cabelos

Colhendo as gotas em tuas pálpebras com os meus lábios

Chegando nos teus...

Pelo canto, até encaixar minha boca na tua, e ficar reconhecendo o céu que ilumina os anjos

Queria estar sob o teu corpo, amanhecendo a alma entre os poros...

O calor que eleva a vida a outros estágios

Queria te encontrar

Para sentir o silêncio, enquanto os lábios falam pelas úmidas palavras do beijo

Queria te encontrar...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cômodos e quintais


Os dias
São como quintais onde nos reunimos em familia
A simples mesa onde são servidas as horas
Ela tem uma toalha estendida
Pintada de sol e de lua
Por isso me sinto em casa
Aprendendo que em cada cômodo da realidade
Devem permanecer os móveis do sonho
A fantasia que dá cor às paredes
De tarde eu vou até a sacada
E o fraco vento embala a rede entre as samambaias
Minha vida é completa...
Em poucas coisas eu percebo que ela nunca foi vazia
Às vezes a tempestade trinca os vidros
E às vezes a chuva entra e enche o parquet
Derramando-se em lágrimas nos degraus
Mas estar vivo é tão bonito
Que qualquer momento vale o imprevisto
O coração sabe onde está e fica tranquilo
E o que seria da alegria sem a dor?
Que nos seja sempre possível
Receber por inteiro todos os sentimentos
Para que possamos nos dar por inteiro em cada sorriso

terça-feira, 19 de maio de 2009

As memórias do ar


(foto: Elsa Rodrigues)

Para onde vão estes pássaros em nossa ausência?
sempre terão outros galhos para pousar...
De todos os sonhos
eu lembro de um que nunca deixei
mas os sonhos se parecem como penas soltas no ar
a diferença é, que, nos pássaros
as penas voltam a nascer
Eu, com aquela pena
apenas tento escrever
as memórias do ar

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Estação Zoo!




Olá! Nossa banda, Estação Zoo está no "Garagem do Faustão".
É uma oportunidade de mostrar o trabalho que fazemos desde 2004!
Contamos com seu voto, é rápido e fácil, basta entrar neste link e votar: http://domingaodofaustao.globo.com/Domingao/Garagemdofaustao/0,,16989,00.html

Um grande abraço e obrigado!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

RÚSTICO RETRATO


Visita também meu novo blog, vai lá!


abraço..

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ser feliz, quase sem saber...



Esta noite, apenas sorri
para além dos meus pensamentos
tomando conta do silêncio que me trazia outros ventos
tomando a lua nas bordas, tocando o seu centro...
A força dos sonhos me inquietava...
Sinos na varanda
rústicos ecos da voz que me fala por dentro
e se estende...
e entende que a rua celebra
enquanto as cabeças acostumadas trocam horas belas
pelas marcas fundas no travesseiro
Ser feliz quase sem saber
eis o risco de lágrima que limpa os sentidos
e deixa o sol nascer em paz entre os cílios
é assim que venho amanhecer
...e assim me fazes sentir
meu mundo fica inteiro!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Retrato do céu


Levo estrelas na palma da mão
quero deixá-las na borda do lago
Depois que entrarmos elas se espalharão
e então vai ser possível até ver os seus reflexos no céu
E quem dirá que elas são de lá?...
Será nosso segredo
dentro das mãos
Olha!
Nós dois
estamos na superfície da água
e no âmago do universo
surpreendidos pela luminosidade dos olhos
no âmago da água
e na superfície dos olhos
absorvidos pela luminosidade do universo
Tudo é o quanto se sente...
O amor é preciso, vai fazendo pontes até acertar os trilhos
Os abismos servem pra lembrarmos do quanto um dia estivemos no início
isso vai ajudar a ter braços fortes pra puxar
se, um dia, um de nós estiver caindo
Dois corações que se encontram cumprem um ciclo
atravessam vales que antes eram temidos
ferem-se nas pontas dos galhos
mas fazem dos frutos curativos
Os lábios se reconhecem enquanto respiram
dentro dos lábios que aquecem enquanto nos fazem mais vivos
Levo estrelas na palma da mão
são cinco pontas...
são cinco dedos...tua mão...
retrato do céu

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Noturna


Descubra a máscara que usas na cintura

na face rósea e pura

como borboleta abrindo as asas após deixar o casulo

e provando o pólen da mutação

E, com muita calma, deixe que as almas

entrelaçadas na beira da praia em nosso coração

sejam curvas moldadas no abandono da razão

se amando no raso

para alcançar o fundo das águas

sexta-feira, 1 de maio de 2009

...

O que sentes?